Karl Marx

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Karl Heinrich Marx

Karl Heinrich Marx

Nascimento 5 de Maio de 1818
Tréveris, Alemanha
Falecimento 14 de Março de 1883
Londres, Inglaterra
Nacionalidade alemã
Ocupação economista, sociólogo, historiador e filósofo
Magnum opus O Capital
Escola/tradição Marxismo (co-fundador, junto com Engels),
Principais interesses sociologia, economia, história, política, teoria social, ideologia
Idéias notáveis transição gradual para o comunismo,ditadura do proletariado,materialismo histórico, materialismo dialético, socialismo científico, modo de produção, mais-valia, luta de classes, teoria marxista da ideologia, teoria marxista da alienação
Influências Kant, Hegel, Feuerbach, Rousseau, Vico, Robert Owen, Charles Fourier, Dante, Goethe, Ésquilo, Balzac, Adam Smith, David Ricardo
Influenciados marxistas,Mikhail Bakunin, Karl Kautsky, Antonio Labriola, Benedetto Croce, Rosa Luxemburgo, Leon Trotsky, Vladimir Lênin, Georg Lukács, Henri Lefebvre, Antonio Gramsci, Lucien Goldman, Max Weber, Theodor W. Adorno, Herbert Marcuse, Walter Benjamin, Erich Fromm, Louis Althusser, Guy Debord, Galvano Della Volpe, Lucio Colletti, Domenico Losurdo, Slavoj Zizek, Jon Elster, Claude Lévi-Strauss, Bertold Brecht, Jean-Paul Sartre, Maurice Merleau-Ponty, Fredric Jameson, Terry Eagleton, Eric John Hobsbawm, E. P. Thompson, Marshall Berman, Peter Dews, Ferdinand Braudel , Wilhelm Reich

Karl Heinrich Marx (Tréveris, 5 de maio de 1818Londres, 14 de março de 1883) foi fundador de uma das grandes teorias que iria influenciar os séculos dezenove e vinte, intelectual alemão, economista, sendo considerado um dos fundadores da Sociologia e militante da Primeira e Segunda Internacional.

Também é possível encontrar a influência de Marx em várias outras áreas, tais como: Filosofia e História. Teve participação como intelectual e como revolucionário no movimento operário, escrevendo o Manifesto Comunista.

Atualmente é bastante difícil analisar a sociedade humana sem se referenciar, em maior ou menor grau, à produção de Karl Marx, apesar da polêmica causada por suas afirmações.

Índice

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[editar] Biografia

Marx nasceu numa família judia de classe média. Sua mãe, Henriette Pressburg, era judia holandesa e seu pai, Hirschel Marx, um advogado e conselheiro de Justiça que teve de se converter ao cristianismo (quando Marx ainda tinha 6 anos) em função das restrições impostas à presença de membros de etnia judaica no serviço público.[1]

Inicou, em 1830, seus estudos no Liceu Friedrich Wilhelm, em Tréveris. Nesse ano eclodiram revoluções em diversos países europeus. No ano seguinte (1831) faleceu Georg Wilhelm Friedrich Hegel, filósofo alemão cuja obra exerceu grande influência sobre Marx.[2]

Em 1835, com dezessete anos, Marx escreveu Reflexões de um jovem perante a escolha de sua profissão. Após, ingressou na Universidade de Bonn para estudar Direito; mas, já no ano seguinte (1836), transferiu-se para a Universidade de Berlim, onde a influência de Hegel ainda era bastante sentida.[3]

Em Berlim, durante o ano de 1838, Marx ingressou no Clube dos Doutores, que era liderado por Bruno Bauer. Perdeu interesse pelo Direito e se voltou para a Filosofia, tendo participado ativamente do movimento dos Jovens Hegelianos. Seu pai falece neste mesmo ano.[4]

Em 1841 obtém o título de doutor em Filosofia com uma tese sobre as “Diferenças da filosofia da natureza em Demócrito e Epicuro“.[5] Nesse mesmo ano, concebeu a idéia de um sistema que combinasse o materialismo de Ludwig Feuerbach com a dialética idealista de Hegel.

Impedido de seguir uma carreira acadêmica[6], tornou-se, em 1842, redator-chefe da Gazeta Renana. Conheceu Friedrich Engels durante visita deste à redação do jornal.[7]

Em 1843, a Gazeta Renana é fechada pelos censores do governo prussiano, e Marx recusa convite do governo para ser redator no diário oficial, optando por mudar-se para Paris. Lá assume a direção do Anais Franco-Alemães e é apresentado a diversas sociedades secretas de socialistas e comunistas. Conclui a redação de Crítica da filosofia do Direito de Hegel e A questão judaica. Casa-se com Jenny von Westphalen.[8]

Em 1844, conheceu a Liga dos Justos (que mais tarde tornar-se-ia Liga dos Comunistas). Iniciou estreita amizade com Friedrich Engels. Escreveu os Manuscritos econômico-filosóficos e artigo sobre uma greve na Silésia.[9]

Devido ao referido artigo sobre a situação na Silésia, Marx é expulso da França em 1845 à pedido do governo prussiano. Mudou-se, então, para Bruxelas, onde escreveu o primeiro trabalho em parceria com Engels: A sagrada família. Neste mesmo ano, a dupla começou a redigir A ideologia alemã e Marx elaborou As teses sobre Feuerbach.[10]

Em 1846, Marx e Engels organizaram o Comitê de Correspondência da Liga dos Justos, interligando correspondentes comunistas de diversos países. E desistem de publicar A ideologia alemã devido à falta de editor[11].[12]

Em 1847, a Liga dos Justos foi renomeada para Liga dos Comunistas. Realizou-se seu primeiro congresso, em Londres, ocasião em que os delegados encomendaram a redação de um manifesto dos comunistas. Marx publicou a edição francesa de Miséria da filosofia.[13]

Em 1848, Marx é expulso de Bruxelas pelo governo belga. Junto a Engels, muda-se para Colônia, onde fundam o jornal Nova Gazeta Renana. Em Londres, foi publicada a primeira edição do Manifesto comunista.[14]

Após ataques às autoridades locais publicados na Nova Gazeta Renana, Marx é expulso de Colônia em 1849. Ele e sua família enfrentam grave crise financeira; após muitas peripécias, conseguem chegar a Paris. Mas o governo francês proíbem-nos de fixar residência em seu território. Graças, então, a uma campanha de arrecadação de donativos promovida por Ferdinand Lassale na Alemanha, Marx e família conseguem migrar para Londres. Neste mesmo ano Marx redige Trabalho assalariado e capital.[15]

Em 1851, Marx dedicou-se intensamente aos estudos de Economia na biblioteca do Museu Britânico. Recebeu e aceitou proposta de trabalho como redator para o jornal New Yorky Daily Tribune. E foi publicado em Colônia, por meio do editor Hermann Becker, o tomo Ensaios escolhidos de Marx.[16]

Durante a maior parte de sua vida adulta, sustentou-se com artigos que publicava ocasionalmente em jornais alemães e estadunidenses, bem como pelo auxílio financeiro vindos de seu amigo e principal colaborador Friedrich Engels. Tentava angariar rendas publicando livros que analisassem fatos da história recente, tais como “O 18 Brumário de Luís Bonaparte “, mas obteve pouco retorno com essas empreitadas.

Karl Marx teve também um filho nascido da relação com a militante socialista Helena Demuth (1820-1890). Engels afirma, na nota por ocasião do falecimento de Helen, que Marx trocava constantemente opiniões com Helen sobre seus escritos econômicos. Marx não podia assumir oficialmente o filho desta relação, por ser casado com Jenny von Westphaler, assim solicitou a Engels que o assumisse. As duas mulheres de Marx, ainda segundo Engels, compartiam uma relação de amizade. Helen foi sepultada no mesmo túmulo de Marx e sua esposa, assim como Marx considerou este filho também como seu herdeiro, em sua precária herança.

Marx foi, no mais, um pai vitoriano convencional: procurou casar bem suas filhas, de modo a poupá-las dos sofrimentos que haviam sido inflingidos por sua atividade revolucionária à sua mãe (como ele diz numa carta a seu futuro genro Paul Lafargue) e chegou a impedir o enlace de sua filha Eleanor com o revolucionário francês e historiador da Comuna de Paris Lissagaray.

Friedrich Engels declamou estas palavras quando da morte de Marx, quinze meses após a perda da esposa:

Marx era, antes de tudo, um revolucionário. Sua verdadeira missão na vida era contribuir, de um modo ou de outro, para a derrubada da sociedade capitalista e das instituições estatais por estas suscitadas, contribuir para a libertação do proletariado moderno, que ele foi o primeiro a tornar consciente de sua posição e de suas necessidades, consciente das condições de sua emancipação. A luta era seu elemento. E ele lutou com uma tenacidade e um sucesso com quem poucos puderam rivalizar.
(…)
Marx foi o homem mais odiado e mais caluniado de seu tempo. Governos, tanto absolutos como republicanos, deportaram-no de seus territórios. Burgueses, quer conservadores ou ultrademocráticos, porfiavam entre si ao lançar difamações contra ele. Tudo isso ele punha de lado, como se fossem teias de aranha, não tomando conhecimento, só respondendo quando necessidade extrema o compelia a tal. E morreu amado, reverenciado e pranteado por milhões de colegas trabalhadores revolucionários - das minas da Sibéria até a Califórnia, de todas as partes da Europa e da América - e atrevo-me a dizer que, embora, muito embora, possa ter tido muitos adversários, não teve nenhum inimigo pessoal.

[editar] Principais obras

Parte da série sobre o
Marxismo

Trabalhos teóricos
O Manifesto Comunista
O Capital

O 18 de Brumário de Luís Bonaparte

Sobre a Questão Judaica
Grundrisse
A Ideologia Alemã

Manuscritos Econômico-Filosóficos de 1844

Teses sobre Feuerbach

Sociologia e antropologia
Alienação · Burguesia
Consciência de classe
Fetichismo da mercadoria
Comunismo
Hegemonia cultural
Exploração · Natureza humana
Ideologia · Proletariado
Reificação · Socialismo
Relações de produção
Economia
Força de trabalho · Lei do valor
Meios de produção
Modo de produção
Forças produtivas
Trabalho excedente
Valor Excedente
Problema da transformação
Trabalho assalariado
História
Anarquismo e marxismo
Produção capitalista
Luta de classes
Ditadura do proletariado
Acumulação primitiva do capital
Revolução proletária
Internacionalismo proletário
Revolução mundial
Filosofia
Materialismo histórico
Materialismo dialético
Marxismo analítico
Autonomismo marxista
Feminismo marxista
Humanismo marxista
Geografia marxista
Marxismo estrutural
Marxismo ocidental
Marxismo libertário
Jovem Marx
Representantes
Karl Marx · Friedrich Engels
Karl Kautsky · Georgi Plekhanov
Rosa Luxemburg
Antonie Pannekoek
Vladimir Lenin · Leon Trotsky
Georg Lukács · Guy Debord
Antonio Gramsci · Karl Korsch
Che Guevara · Escola de Frankfurt
Jean-Paul Sartre
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Crítica
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[editar] Teoria

Marx foi herdeiro da filosofia alemã, considerado ao lado de Kant e Hegel um de seus grandes representantes. Foi um dos maiores pensadores de todos os tempos, tendo uma produção teórica com a extensão e densidade de um Aristóteles, de quem era um admirador. Em uma pesquisa recente da rádio BBC de Londres, Karl Marx foi votado como sendo o maior filósofo de todos os tempos. O que seria irônico, já que este ironiza as veleidades ilusórias dos filósofos(principalmente os filósofos idealistas alemães). Como filósofo, se posiciona muito mais numa supra-filosofia, em que “realizar” a filosofia é antes “abolí-la”, ou ao realizá-la, ela mesma se aniquila.

Marx foi diretamente influenciado por Ludwig Feuerbach, que já anunciava uma visão invertida de Hegel, a inversão materialista do hegelianismo. Dizia que Hegel tinha posto o homem de “ponta-cabeça” e explicava seu “materialismo contemplativo” (termo de Marx) através da afirmação que a “maçã” é anterior a “idéia de maçã”. Marx evolui dessa ramificação do hegelianismo, que já superava o idealismo revolucionário dos Jovens Hegelianos, de cujo movimento participou. Seu pensamento engajado com as lutas proletárias se edificou em base de uma grande síntese de três fontes: a Economia Política inglesa, o socialismo (ou sociologia) francês e a filosofia alemã.

Dessa síntese formulou uma nova lógica ou teoria histórica, que ficou conhecida como “materialismo dialético histórico“. Esta consistia no desenvolvimento bem mais elevado que as intuições do materialismo feuerbachiano sobre uma interpretação materialista e dialética do devir da humanidade(evolução histórica). A realidade material produz as condições de vida que expõe ao “homem” sua circunstância existencial, cujo partirá todas as suas idéias de mundo, ou seja, ideologias. Não é a idéia que produz a realidade, é a realidade que produz idéias. Mas dialeticamente se corelacionam e se sintetizam em uma práxis social.

Dentro das duas ordens de pensamento existente na Alemanha, o racionalismo (idealismo lógico) e o romantismo (idealismo sensível), e como evolução e crítica do “materialismo contemplativo” de Ludwig Feuerbach, Marx defendia a “práxis” (ou prática) ou um materialismo ativo. Seu materialismo não pode se definir como meramente empirista, primeiro porque julga Marx que o empirismo é ainda muito abstrato, e segundo porque seu materialismo é dialético. Ou seja, matéria e idéia são categorias que de forma oposta se interelacionam, ou em termo tradicional, trata-se de uma “unidade de opostos”. Tendo por a priori, a própria matéria (realidade), o princípio é materialista, mas não é um materialismo absoluto.

Seu pensamento político criticou todas as correntes socialistas por não ter um caráter decididamente transformador, mas somente reformador. Ainda que para Marx, a evolução e a revolução são dialéticas, e que cada partido operário ao realizar suas metas curtas, se abole, pois se torna inútil. Enquanto, a posição que defende, o socialismo científico (para se opor a um socialismo romantico) ou comunismo (revolucionário, para se opor ao mero reformismo); defendia não uma melhoria das condições de vida do proletariado, mas a própria emancipação do proletariado, o fim da condição proletária. Não se tratava de amenizar a exploração, mas de abolí-la. Mas as condições dessa emancipação, que só a prática poderia realizar, estava nas condições reais em que estava inserida. Por isso, em Marx, é o desenvolvimento do capitalismo que cria a proletarização, que é o exército que irá destronar a burguesia. E a própria hostilidade que o capitalismo produz sobre a condição proletária é que cria as condições subjetivas para explodir uma revolução.

Criticou também o anarquismo por sua visão ingênua do fim do Estado, por querer acabar com o Estado “por decreto”, ao invés de acabar com as condições que fazem do Estado uma necessidade e realidade. Criticou o blanquismo com sua visão elitista de partido(muito parecida com a teoria de partido de Lenin, a vanguarda proletária, por ter uma tendência autoritária e superada. Se posicionou a favor do liberalismo, não como solução para o proletariado, mas como premissa para maturação das condições positivas e negativas da emancipação proletária, como a da homogenização da condição proletária internacional gerado pela “globalização” do capital. Sua visão política era profundamente marcada pelas condições que o desenvolvimento econômico ofereceria para a emancipação proletária, tanto em sentido negativo(desemprego), como em sentido positivo(aonde o próprio capital centralizaria a economia, exemplo: multinacionais).

Na lógica do materialismo dialético histórico não é a realidade que move a si mesmo, mas comove os atores, se trata sempre de um “drama histórico”(termo que Marx usa em O 18 Brumário de Luís Bonaparte) e não de um “determinismo histórico” que cairia num materialismo mecânico(positivismo), oposto ao materialismo dialético. O materialismo dialético histórico, poderia também ser definido como uma “dialética realidade-idealidade evolutiva”. Ou seja, as relações entre a realidade e as idéias se fundem na práxis, e a práxis é o grande fundamento do pensamento de Marx. Pois sendo a história uma produção humana, e sendo as idéias produto das circunstâncias em que tais ideais brotaram, fazer história é a grande meta. E o próprio fazer da história criará suas condições objetivas e subjetivas adjacentes, já que a objetividade histórica é produto da humanidade(dos homens associados, luta política, etc). E assim Marx finaliza as teses de Feuerbach, não se trata de interpretar diferentemente o mundo, mas de transformá-lo. Pois a própria interpretação está condicionada ao mundo posto, só a ação revolucionária produz a transcendência do mundo vigente.

A grande obra de Marx é O Capital, aonde trata de fazer uma extensa análise da sociedade capitalista. É predominantemente um livro de Economia Política, mas não só. Nesta obra monumental, Marx discorre desde a economia, até a sociedade, cultura, política, filosofia. É uma obra analítica, sintética, crítica, descritiva, científica, filosófica, etc. Uma obra de difícil leitura, ainda que suas categorias não tenha a ambiguidade especulativa própria da obra de Hegel, no entanto, uma linguagem pouco atraente e nem um pouco fácil. O Capital nao é apenas uma grande obra por ser a obra que Marx se dedicou com mais profundidade e extensão. Dentro da estrutura do pensamento de Marx, só uma obra como O Capital é o principal conhecimento, tanto para a humanidade em geral, quanto para o proletariado em particular, já que através de uma análise radical da realidade que está submetido, só assim poderá se desviar da ideologia dominante (”a ideologia dominante” é sempre da “classe dominante”), como poderá obter uma base concreta para sua luta política. Sobre o caráter da abordagem econômica das formações societárias humanas, afirmou A. de Walhens: “O marxismo é um esforço para ler, por trás da pseudo-imediaticidade do mundo econômico reificado as relações inter-humanas que o edificaram e se dissumularam por trás de sua obra.”[17]

Na obra Ideologia Alemã, Marx apresenta cuidadosamente os pressupostos de seu novo pensamento. No Manifesto Comunista apresenta sua tese política básica. Na Questão Judaica apresenta sua crítica religiosa, que diz que não se deve apresentar questões humanas como teológicas, mas as teológicas como questões humanas. E que afirmar ou negar a existência de Deus, são ambas teologia. O ponto de vista deve ser sempre o de ver as religiões como reflexões humanas fantasiosas de si mesmo, mas que representa a condição humana real a que esta submetido. Na Crítica ao Programa de Gotha, Marx faz a mais extensa e sistemática apresentação do que seria uma sociedade socialista, ainda que sempre tente desviar desse tipo de “futurologia”, por não ser rigorosamente científica. Em A Guerra Civil na França, Marx supera todas as suas tendencias jacobinas de antes, e defende claramente que só com o fim do Estado o proletariado oferece a si mesmo as condições de manter o próprio poder recém conquistado, e o fim do Estado é literalmente o “povo em armas”, ou seja, o fim da “monopólio da violência” que o Estado representa. Em O 18 Brumário de Luís Bonaparte, já está uma profunda análise sobre o terror da “burocracia” e como esta representa a camada camponesa, que por sua propria condição(como ele explica) tem tendências autoritárias.

A colaboração de Engels em todos os textos de Marx foi de suma importância, ainda que este sempre frise a superioridade de Marx. Uma das obras mais importantes de Engels para o comunismo é a obra “do socialismo utópico ao socialismo científico”, aonde apresenta de forma mais clara as diferenciações do socialismo de Estado(Lassalle) com a do socialismo científico(aonde a tomada do Estado tem apenas valor transitório), e aonde apresenta o Estado como sendo um “capitalista coletivo”. Marx considerava a sociedade extremamente capitalista e acreditava que o capitalismo traria divisões sociais.

O conceito de Mais-valia foi empregado por Karl para explicar a obtenção de lucros contínuos a partir da exploração da mão-de-obra. Os donos dos meios de produção obtêm parte de seus lucros pela exploração do trabalhador.

[editar] Críticas

A crítica ao pensamento de Marx iniciou-se desde a publicação de suas primeiras obras e prossegue - principalmente entre seus seguidores e intelectuais preocupados em conhecer, desenvolver e discutir a atualidade de suas idéias.

Em Miséria do historicismo (1935, 1944), Karl Popper discorda de Marx quanto à história ser regida por leis que, se compreendidas, podem servir para se antecipar o futuro. Segundo Popper, a história não pode obedecer a leis e a idéia de “lei histórica” é uma contradição em si mesma. Já em A sociedade aberta e seus inimigos (1945), Popper afirma que o historicismo conduz necessariamente a uma sociedade “tribal” e “fechada”, com total desprezo pelas liberdades individuais.

Todavia há dúvidas se Marx teria realmente baseado sua teoria em um “historicismo”, nos termos colocados por Popper. Argumenta-se que Marx, seguindo uma tradição inaugurada por Maquiavel e Hobbes, busca nos interesses e necessidades concretas dos indivíduos, ao longo da História, a causa fundamental das ações humanas - em oposição às idéias políticas e morais abstratas. Ele não parece supor que esta busca de realização de interesses tenha conseqüências predeterminadas. Tal interpretação, provavelmente influenciada pelo evolucionismo darwinista, na exegese póstuma do pensamento marxiano, é creditada ao “papa” da Social-Democracia alemã, Karl Kautsky, no final do século XIX. A interpretação kautskista seria contestada, de várias formas, por Bernstein, Rosa Luxemburgo, Lenin, Trotsky e Gramsci, entre outros.

Popper considera Marx como “não-científico” também porque sua teoria não é passível de contestação. Para Popper, toda teoria científica é falseável - caso contrário, seria incluída no campo das crenças ou ideologias. Resta saber, é claro, se afirmações sobre fatos históricos, necessariamente únicos, podem ser, nos termos de Popper, falsificáveis.

Eric Voegelin diz que Marx levanta questões que são impossíveis de serem resolvidas pelo “homem socialista”. Vogelin também alega que Marx conduz a uma realidade alternativa, a qual não tem necessariamente nenhum vínculo com a realidade objetiva do sujeito. Segundo Voeglin, quando a realidade entra em conflito com Marx, ele descarta a realidade.

Ludwig von Mises demonstrou a impossibilidade de se organizar uma economia nos moldes socialistas, pela ausência do sistema de preços, que funciona como sinalizador aos empreendedores acerca das necessidades dos consumidores. Mises também refinou argumentos formulados por Eugen von Böhm-Bawerk.

Raymond Aron, em O ópio dos intelectuais, (1955) criticou de forma agressiva os intelectuais seguidores de Marx e condenou a teoria da revolução e o determinismo histórico.

Finalmente, uma questão de ordem prática, iniciada décadas atrás, foi suscitada pelo stalinismo, notadamente os expurgos, os gulags e o genocídio na antiga União Soviética, que tiveram grande repercusão sobre o pensamento marxista europeu e os partidos comunistas ocidentais. Discutia-se até que ponto Marx poderia ser responsabilizado pelas diferentes “leituras” de sua obra (e respectivos efeitos colaterais) ou se tais práticas seriam resultantes de uma visão deturpada das idéias marxianas. Com o final da guerra fria, o debate tornou-se menos polarizado. Todavia a discusão acerca do futuro do capitalismo - ou da Humanidade - prossegue.

[editar] Referências

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Notas e Referências

  1. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  2. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  3. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  4. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  5. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  6. Neste ano Bruno Bauer foi expulso da cátedra de Teologia da Universidade de Bonn acusado de ateísmo. Isso representou, para Marx, um impedimento virtual a uma possível carreira acadêmica devido ao fato de ser conhecido como “seguidor” de Bauer. Cf. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  7. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  8. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  9. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  10. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  11. A obra só foi publicada em 1932, na União Soviética. Cf. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  12. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  13. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  14. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  15. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  16. BOITEMPO, Editorial. Cronologia resumida de Karl Marx e Friedrich Engels contida em edição de A Ideologia Alemã. São Paulo: Boitempo Editorial, 2007
  17. WALHENS, A de. L’idée phénoménologique d’intentionalité, in Hussuerl et la pensée moderne. Haia: 1959, pp. 127-128. Apud KOSIK, K. Dialética do Concreto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1976, p. 17.

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